Serious Games (parte II): Game Based Learning

 

De todas as categorias ou “classes taxonómicas” dos Serious Gameshá uma que me atrai particularmente; os Jogos Educativos ou Games for Education se preferirem.

Muito se tem escrito ao longo dos anos acerca da utilização dos jogos na aprendizagem. Alguns autores defendem as suas potencialidades, outros enfatizam os seus aspetos negativos. Mas uma coisa é certa, o impacto dos Jogos nos jovens e adolescentes, não deixa ninguém indiferente!

Muitas pessoas confundem o conceito de serious games com jogos educativos, o que até é normal porque se formos a ver, de todas as categorias de “jogos sérios” é capaz de ser a mais conhecida. Mas é um erro assumir que todos os serious games são educativos, da mesma maneira que classificar os Jogos Educativos de Edutainment também não é tão correto quanto isso.

Há quem considere o edutainment um fenómeno que, associado aos jogos, teve a sua expressão máxima nos anos 90 e passam a adotar a expressão serious games, cujo objetivo não é colocar estratégias dos jogos ao serviço do ensino, mas antes levar os conceitos de educação e formação para os jogos.

Edutainment resulta na junção de educação (education) e divertimento (entertainment). Mas da mesma maneira que posso aprender e divertir-me através de um jogo, posso faze-lo através de uma música, de um programa televisivo,  etc. Desta forma, e retomando as “classes taxonómicas” de Sawyer e Smith, sugeri esta pequena “arrumação” aquando da minha dissertação:

seriousgames

Uma outra expressão muito utilizada no que se refere à utilização de jogos para aprendizagem é Digital Game-based Learning (com o acrónimo DGBL), ou Aprendizagem Baseada em Jogos Digitais (Shearer, 2011; Prensky, 2001b; Cordova & Lepper, 1996, entre outros). Os jogos de DGBL são criados para equilibrar o conhecimento sobre uma dada temática em causa com a jogabilidade e a habilidade do jogador. O objetivo é que o jogador seja capaz de reter e aplicar parte do conhecimento construído no mundo real. São jogos criados com o objetivo único de ensinar. Por definição, poderemos considerar que um jogo de DGBL é uma forma de edutainment, pois combina educação com entretenimento e por sua vez é um serious games pois tem um propósito “sério” associado ao jogo.

Definições à parte, o conceito de ensinar através de jogos é Nobre. No entanto falha em imensas formas, uma vez que há uma:

“[...] total ausência de interesse em entreter o jogador. Apostando tudo no ensino, ou melhor, na transmissão de conteúdos” (Zagalo, 2012).

Ora, se é pretendido que os alunos se sintam compelidos a jogar Jogos Educativos, da mesma forma que jogam outros tipos de jogos AAA, talvez  seja boa ideia manter as caraterísticas destes jogos mais bem sucedidos. Marc Prensky, no seu  Digital Game Based Learning avança algumas ideias neste sentido:

Porque é que os jogos nos cativam? ( adaptado de Prensky, 2001)

  1. Os jogos são uma forma de diversão. Dão-nos prazer e fazem-nos desfrutar.
  2. Os jogos são uma forma de brincar. Fazem-nos envolver intensamente.
  3. Os jogos têm regras. Dão-nos uma estrutura.
  4. Os jogos têm objetivos. Dão-nos motivação.
  5. Os jogos são interativos. Fazem-nos esforçar.
  6. Os jogos dão-nos resultados e feedback. Podem-nos conduzir à aprendizagem.
  7. Os jogos são adaptáveis. Dão-nos flow.
  8. Os jogos têm situações de vitória. Fazem com que gratifiquemos o nosso ego.
  9. Os jogos têm conflitos/competição/desafios/oposição. Dão-nos adrenalina.
  10. Os jogos podem implicar resolução de problemas. Despertam a nossa criatividade.
  11. Os jogos têm interação. Permitem-nos criar grupos sociais.
  12. Os jogos têm representação e história. Dão-nos emoção.

 

Se não retivermos o melhor que os jogos nos têm para oferecer, não há qualquer vantagem em recorrer a estes para o ensino, a não ser uma forma diferente de aprendizagem, da mesma forma que um powerpoint é diferente de dar uma aula com recurso ao google maps, ou aprender a localização dos países utilizando um globo.

Nesta linha de pensamento, defendo que a concepção e criação de Jogos Educativos seja repartido entre, um Diretor Pedagógico que valide todas as dinâmicas (conteúdos de aprendizagem) e um Game Designerque faça cumprir os requisitos essenciais de um bom jogo (Raposo, 2012). Eventualmente, começará a surgir o conceito de educational game designers para definir pessoas competentes e experientes no que diz respeito ao design específicamente de jogos educativos. Cabe a estes especialistas manter um equilibrio entre o educativo e a jogabilidade. A Educação ganha com isso, ganhamos todos com isso.

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Imagem do Jogo “Búzios – Ecos da Liberdade

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Imagem do jogo “PING: Porverty Is Not a Game

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Imagem do jogo “Play English

 

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