Don’t Kill the Chicken, a inside vision: Parte 2

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Continuando o post anterior, desta vez vou-me debruçar um pouco mais sobre a experiência  de jogo do Don’t Kill the Chicken (DKTC).

Relembrando, o jogo consiste numa sequência de desafios lógicos, de raciocínio e de observação, em que o jogador tem sempre 10 segundos para resolver. O objetivo é chegar o mais longe possível sem matar a galinha!

Random is the Key

A palavra chave do DKTC é : aleatoriedade. A sequência dos desafios é sempre aleatória, pelo que o jogador terá sempre uma experiência diferente, mas mais importante ainda, os próprios desafios são gerados aleatoriamente, pelo que é inútil tentar memorizar soluções.

Este foi o maior desafio do DKTC, garantir que a experiência de jogo  seria totalmente aleatória. Pois alguns desafios são mais “complicados” de desenhar a sua aleatoriedade, inclusive alguns boas ideias tiveram de ser deixadas de fora por não serem possíveis de seguir esta regra.

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No desafio para contar quantos quadrados surgem na imagem, a “composição” é feita por arestas, daí que conseguimos manter a aleatoriedade. Claro que, para ser quadrado, as arestas têm de se fechar!

Essa aleatoriedade  também funciona a outros níveis, como a ordem, a cor, os objetos. Há uma série de variáveis que permite baralhar e distribuir, fazendo que seja quase impossível haver repetições.

O mesmo funciona para os desafios bónus. Por cada nível é sorteado qual dos Bónus surge, e mesmo a ordem em que ele surge é sorteada. Quem diz os desafios bónus, também diz as piadas da galinha. Estas surgem sempre de forma aleatória. No entanto, ao contrário do resto do jogo, as piadas estão previamente criadas e guardadas.

chicken-joke

Arquitetura do jogo

O DKTC funciona como um sistema de rack. A qualquer momento podemos adicionar ou retirar prateleiras ( neste caso desafios). Como têm um funcionamento independente, os desafios podem ser tratados isoladamente. A única coisa em comum são as pontuações, mas como estas ficam guardadas à parte, não se perdem se retirarmos ou alterarmos desafios.

Kill the Chicken

A bem ou a mal, o DKTC exige um mínimo de capacidade para poder ser jogado, o que exclui os mais novos. Bem, aparentemente não! Descobrimos que os mais novos gostavam do DKTC precisamente pelo motivo contrário: Matar a galinha. Uma vez que a animação da galinha a morrer é cartoonesca e não violenta, faz sentido que realmente as crianças criassem uma certa empatia, quase como se estivessem a ver desenhos animados ( hoje em dia eles vêm o Road Runner?!).

Embora tenha sido lançado apenas com uma “morte”, o DKTC foi pensado e desenhado desde o início para conter várias animações trágicas para a galinha. Mas quando nos apercebemos que as crianças ( estamos a falar de idade pré-escolar mesmo) achavam piada à animação, redesenhamos o sistema de “mortes” e aceleramos o processo para as disponibilizar mediante um sistema de micro transações.

Pimp my Chicken

Numa fase posterior ao lançamento do jogo, foi lançado um novo modo: Pimp my Chicken! Não é propriamente um modo de jogo, mas uma hipóteses para os jogadores poderem personalizar a sua galinha, desbloqueando ou comprando ( próximo post explicará isso melhor) novos adereços. Com o update do Pimp my Chicken, também tornou-se possível “jogar” com outros personagens: pintainho, galo e perú. A preocupação foi manter apenas aves, e de preferência que se pudesse criar em capoeira. Futuramente até poderá ser diferente se assim se justificar, mas para já não! E faz todo o sentido em manter as coisas “dentro da capoeira”.

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Uma terceira parte deste post irá explicar o desenho da economia virtual de DKTC.

Links para download do jogo para iOS e para Android!

 

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Don’t Kill the Chicken, a inside vision: Parte 1

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O Don’t Kill the Chicken (DKTC) é dos mais recentes projetos da Cereal Games. No fundo é um brain solver e está disponível na App Store e na Google Play. O tipo de desafios que o jogo promove,vão ao encontro dos utilizados pelos neuropsicólogos  para estimular as funções nervosas superiores.

Nesta primeira parte de uma “reflexão”/ análise sobre o DKTC, vou focar em alguns aspetos menos técnicos e em algumas curiosidades relacionadas com o jogo.

A Origem

O DKTC surgiu, porque a Cereal Games pretendia um jogo que fosse relativamente rápido de desenvolver para alimentar a sua plataforma CerealBOX. Com o aumento de inscritos através da distribuição do nosso jogo A Liga do Ambiente,  pensamos em oferecer mais entretenimento aos visitantes da nossa plataforma. Para tal, foi colocado o desafio à equipa da Cereal Games, para que cada um pensasse num conceito interessante e prático. Das várias ideias apresentadas, a proposta do João Barroso foi a escolhida. Essencialmente a proposta consistia num jogo, com uma série de desafios lógicos que teriam de ser resolvidos num limite de tempo. O conceito estava identificado, faltava polir a ideia.

O Nome

Inicialmente o nome do jogo era : Kaboom! Isso porque a ideia era transmitir uma certa urgência em resolver os desafios, e pretendíamos isso com o conceito de “arrebenta a bomba”! Havia inclusive um rastilho que indicava o tempo disponível.

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Imagem 2- Interface de quando o jogo se chamava Kaboom!

 

Algures na fase inicial, surgiu por brincadeira  a ideia de ser uma galinha a morrer e de forma ridícula. Não me recordo exatamente o que me levou a ter essa ideia, mas lembro-me de ter pedido ao ilustrador que desenhasse uma galinha “apática” e quando vi o resultado fiquei logo convencido. O nome mudou para o atual e o jogo ganhou outro colorido. Se formos a ver, Don’t Kill the Chicken é o mesmo que “Não Percas”, pois se não matar-mos a galinha, significa que estamos a ir bem!

Estimular as funções nervosas superiores

Ainda o DKTC não tinha sido publicado, quando por acaso foi jogado por uma neuropsicóloga. E foi aí que foi identificado como uma ferramenta com potencial para estimular as funções nervosas superiores. O que é curioso, pois apesar do core da Cereal Games ser precisamente o desenvolvimento de serious games, o DKTC não foi inicialmente projetado para esse fim. Após algumas trocas de ideias, chegou-se à conclusão de que poderia ser feito um estudo envolvendo o DKTC, no entanto, uma versão ligeiramente diferente terá de ser desenvolvida exclusivamente para esse fim.

O gênero

Se formos a ver, não é assim tão fácil classificar o DKTC quanto ao gênero de jogo em que este melhor se insere. Aliás, com o boom das appstores, começou a aparecer novas tendências e várias categorias e classificações. A categoria principal, que por sua vez há quem se refira a ela como um gênero, é: Casual Game! Porque é que eu não considero como sendo um gênero? Pois geralmente utiliza-se a expressão, “gênero de videojogos”, para classificar um jogo em relação ao seu gameplay ( eventualmente, eu também aceitaria aqui mecânica) . O que define se um jogo é casual, não é o seu gameplay, é a sua utilização. Portanto, em relação a isso, o DKTC, é um jogo casual, pois pode-se jogar por períodos curtos de tempo, e mais importante ainda, o jogo FOI DESENHADO para que seja jogado por curtos períodos de tempo. Em relação ao gênero, DKTC é um Puzzle Game. As definições valem o que valem, mas pelas suas características é aqui que melhor se enquadra este jogo.

As referências

Quem me conhece, não só do game design, mas também de outras andanças , sabe que eu tenho um gosto particular de deixar/ fazer referencias culturais subtis. Bem, às vezes não tão subtis quanto isso 🙂 O DKTC não é exceção. Há imensas referências a filmes, músicas, séries,  e inclusive outros jogos,  nos troféus do Game Center.

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Imagem 3- Troféu FirstBlood do jogo Don’t Kill the Chicken!

Os gamers vão perceber  de onde vem o FirstBlood,  mas para mais aconselho a ler as descrições dos troféus do DKTC.

O jogo também tem um sentido de humor peculiar, se por um lado remete muito para os Happy Tree Friends, olhares mais atentos vão perceber a mão ( ou o pé) de Monty Python. Existem várias referências aos humoristas britânicos nos in-app purchases. Mas este assunto já fica para outro capítulo!