Estranha Forma de Vida – Uma História da Música Popular Portuguesa

 

Um dia destes ao fazer zapping dei de caras com um documentário em que estavam a falar de António Variações, Heróis do Mar, GNR.  Fui  consultar o guia  e reparei que se chamava Estranha Forma de Vida.

Adorei o episódio, mas senti-me um pouco frustrado, pois já tinha visto várias vezes esse nome na programação, mas como associava a um documentário sobre a Amália ou sobre o Fado em geral deixava passar. Não me levem a mal, eu gosto de Fado e aprecio sobejamente a Amália, mas não é o que mais me apetece ver na televisão ao fim de um dia de trabalho.

Ultrapassada a frustração, fiz uma pesquisa e até foi fácil de encontrar online!

O percurso da música popular portuguesa desde a década de 30 até à atualidade

“Estranha Forma de Vida” traça, ao longo de 26 programas, o percurso da música popular portuguesa desde a década de 30 até à atualidade, com base no Arquivo da RTP e nos testemunhos de cantores, compositores, produtores e outros atores fundamentais em todo este percurso. De entre as entrevistas exclusivas, contam-se nomes como os de Simone de Oliveira, Madalena Iglésias, José Cid, Sérgio Godinho, Jorge Palma, Pedro Abrunhosa ou Ana Bacalhau.

O documentário de 26 episódios é da autoria de  Jaime Fernandes (direção), João Carlos Callixto e Viriato Teles e felizmente para mim ( para todos nós) é possível ver os episódios no site da RTP, mas choca-me que uma belíssima produção tenha passado quase ao lado, enquanto que somos bombardeados com casas e segredos todos os dias.

António Variações

Para quem gosta de musica, gosta de história e da nossa cultura, é um bom documentário que expõe a história da música em Portugal, parcialmente organizado por décadas e estilos ou movimentos musicais. Fala-se dos artistas, das obras, dos programas de referência que ajudaram  a tirar do anonimato ícones da nossa cultura musical e não só, não fosse Zeca Afonso também um ícone da liberdade e contestação, entre muitos outros artistas.

 

Agora vendo bem, apesar de me ter induzido em erro, o nome escolhido assenta que nem uma luva, pois realmente que estranha forma de vida essa protagonizada por  nomes que hão de ficar para sempre na nossa memória e músicas que hão de ficar para sempre nos nossos ouvidos e nossos corações?

 

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Apesar de ser uma série de 2011 / 2012, o que também não é tão antiga quanto isso, ainda vão a tempo de ver, isso porque o documentário vai apenas até a primeira década do século XXI. E mesmo que assim não fosse, é um testemunho histórico da música em Portugal e como tal é intemporal. E como tal eu  espero mais produções do género. E como tal,  estranha é a forma de vida de quem prefere um reality show  desprovido de cultura a este excelente documentário!

 

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RSAnimate: Changing education paradigms

 

É inevitável o material de qualidade (e também o contrário) com que nos deparamos dia a dia na internet! Desta feita, dei de caras com o seguinte video, que é um grande trabalho de comunicação multimédia por parte da RSA (Royal Society for the encouragement of Arts, Manufactures and Commerce), tanto na sua forma como no conteúdo.

Our vision is to be a powerful and innovative force.  Bringing together different disciplines and perspectives, we bring new ideas and urgent and provocative debates to a mass audience. We  work with partners to generate real progress in our chosen project areas, and through our 27,000 Fellows we want be seen as a source of capacity, commitment and insight in communities from the global to the local.

A forma como a ideia é transmitida é quase hipnótica, desde ao timbre aveludado da voz do narrador e a sua cadência rítmica, até às magníficas ilustrações que acompanham a verbalização da ideia. Estas ilustrações estão a cargo da mente artística e criativa de Andrew Park, fundador e diretor da CognitiveMedia.

After listening in to hundreds of inspiring RSA lectures, our events team carefully select a truly world-changing talk.  They then edit the podcast of that lecture down to a punchy ten minute audio segment, and send it off to Andrew Park to work his magic on the accompanying animated illustration.

Quanto ao conteúdo, de facto é uma visão clara sobre como as circunstâncias económicas e consequentemente o comportamento social forçam a mudança dos paradigmas educacionais. Atenção, que utilizei a palavra mudança e não evolução. Evolução pressupõe uma mudança para melhor, o que não é o caso. No video refere-se a preocupação desmesurada em fabricar ao invés de educar. A maior preocupação de impingir informação do que promover a espontaneidade. Estes fatores estão bem explicados na animação, reforçados com excelentes alegorias de Andrew Park. Vale mesmo a pena ver!