Gamification nas Escolas

Partilharam comigo nas Redes Sociais um artigo sobre  a utilização de “gamification” em contextos escolares. Ou melhor dizendo, se será a “Gamificação” o futuro da educação.

Antes demais, há uma série de situações que julgo necessário explicar, e a principal é que o conceito de Gamification não é a mesma coisa que Serious Games, Jogos Educativos, Edutainment, o que quiserem. Nem tão pouco “gamificar” uma disciplina é a simples utilização de jogos nas aulas.

Gamification consiste em importar elementos e características de videojogos e aplicá-los em contextos de “não-jogo”. Reconheço que a maneira mais fácil de explicar o que é Gamification também é a mais errada, ou pelo menos a mais incompleta, que é justamente a referida no artigo  acima mencionado; Points ,Badges e Leaderboards ( PBL’s).

É fácil explicar recorrendo a estes 3 exemplos, mas há muito mais acerca de Gamification do que PBL’s. Resumir toda a experiência, o máximo de possibilidades de um cenário gamificado, em PBL’s,   é transmitir um ideia errada e não perceber a magnitude do alcance e impacto deste conceito que é Gamification. Há muito mais na Gamificação do que Points, Badges e Leaders ( Werbach, 2013).

Por acaso o artigo até faz referência a um ponto sensivel:

However, there are also some challenges associated with the gamification of education, because once motivation is lost, so are the learning opportunities that this new approach seeks to realize. Moreover, it might absorb teacher resources, or teach students that they should learn only when provided with external rewards.

A motivação é um aspeto essencial para o desenrolar de uma experiência Gamificada. É necessário gerir as fontes motivacionais, seja motivação intrínseca ou extrínseca, gerir as recompensas, tangíveis ou não tangíveis,assim como decidir o que é o quê, o porquê…

Fazendo um apanhado, a grande diferença é que enquanto o videojogo é um recurso, utilizado numa aula ou como suplemento à matéria, um cenário Gamificado é um método, implica alterar/ adaptar um programa curricular, obriga a uma continuidade no tempo e a uma maior rigidez nas regras, maior disciplina por parte dos participantes etc.

Com isto podemos dizer que a Gamificação é o futuro da educação? Parece-me peremptório! Fazer mal não faz, pelo contrário, é de facto um tópico muito interessante (não só na educação como em muitas outras áreas). Mas como vimos tem tanto de interessante como complexo, começar por aí é como começar por fazer uma casa pelo telhado. Futuro da educação? Primeiro passa por bons programas curriculares, boas infra-estruturas, bons professores , bons alunos ( porque não?!), depois aí sim, podemos em pensar de facto em tirar partido do conceito de Gamification.

Por ultimo, deixem-me acrescentar que isso de Gamificar as salas de aula, pelo menos na sua versão simples de PBL’s nem é nada de novo. Ainda se lembram das cartolinas na escola primário com os nossos nomes e bolinhas amarelas, verdes ou vermelhas de acordo com o nosso desempenho? e no final da semana o aluno com mais bolinhas verdes ( confesso que não me recordo se era por bom comportamento, assiduidade ou pontualidade) recebia um prémio? Pois, é a ponta do iceberg do que pode ser um cenário gamificado, e falo de cerca de 25 anos atrás.

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