the Last Door

Depois de Ib, eis mais um fantástico Horror Adventure com uma  estética visual pixel art:  falo do the Last Door.

O jogo foi desenvolvido em Espanha pela The Game Kitchen e depois de uma pesquisa rápida a ver outros trabalhos do estúdio independente espanhol, chega-se à conclusão de que the Last Door, é sem dúvida o seu melhor “cozinhado”. A “Cozinha de Jogos” aparentemente funciona como “take away”, isto é, desenvolve jogos para terceiros. É pena porque the Last Door demonstra que the Game Kitchen é um estúdio bem criativo. Atenção que não me oponho ao desenvolvimento de jogos educativos ou advergames por parte deste estúdio, muito pelo contrário, apenas saliento que nestas situações “encomendadas”, o maior entrave à criatividade acaba por ser o cliente.

Voltando ao nosso jogo, é um point and click com um grafismo pixelizado e música sombria, não fosse o próprio jogo todo ele sombrio e pesado. Este seu aspeto gráfico pixelizado é a primeira coisa que chama a atenção.

Ao contrário do que se possa pensar, o aspeto pixelizado do jogo não se traduz num entrave, pelo contrário, ajuda a tornar algumas secções do jogo pesadas. Faz-nos recorrer à nossa imaginação, faz-nos preencher os detalhes. E pesadas no bom sentido, claro. É isso que se pretende de um horror adventure.

Também   a  musica ajuda a recriar esta atmosfera de suspense,  não só devido a uma correta utilização de trechos musicais nas secções de jogo adequadas como, e mais importante ainda, na utilização do…silêncio. A música assenta muito na utilização de piano que constraste bem com o sound design dos elementos do jogo.

A nível de mecânicas, é um jogo simples, com um sistema de inventário de fácil utilização. Os capítulos seguintes terão outras funcionalidades, adicionadas de modo incremental para não dificultar a interação com o jogo.

O big winner de the Last Door, é claramente a Narrativa. Não fosse este factor e acho que a maioria das pessoas não tinha paciência para estes gráficos pixelizados. Mas a verdade é que entramos tão dentro da história que nos esquecemos do aspeto do jogo. O ritmo a que surgem novas pistas e novos puzzles, nunca deixa diminuir a emoção. Mesmo nas secções de maior dificuldade, eu era impelido a continuar porque como um bom filme ou livro policial, queria/quero saber o que aconteceu.

Nota-se neste jogo  uma toada típica de escritores como Allan Poe e até suspeito que a secção dos corvos seja uma pequena homenagem ao poeta norte- americano.

Para já só joguei o primeiro capítulo (the letter), mas já me estou preparando emocionalmente para dar continuidade à história. Aconselho também a experimentarem o prólogo, é uma experiência de cerca de 3 minutos apenas e dá para sentir aquilo que falo neste post.

Este the Last Door só foi possível através de Crowd Founding, sendo que apenas os dois primeiros capítulos já se encontram finalizados.  Para quem gostar dos 2 primeiros capítulos e  estiver interessado na continuidade do projeto, podem sempre apoiar na página do  jogo. Para os apoiantes, existem vários extras e ofertas disponíveis sendo que a mais original é, ser um dos personagens do jogo.

Também podem experimentar o jogo através do portal Kongregate.com.

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Machinarium

O Machinarium é uma aventura gráfica. Foi desenvolvido pela Amanita-Design, um pequeno estúdio independente de desenvolvimento de jogos da República Checa, e vencedor de um prémio excelencia pela sua arte gráfica no Independent Games Festival. Consiste em resolver puzzles e enigmas. É um ótimo exercitador para a mente!

Conceptualmente (e tecnicamente), o jogo está muito bem concebido, cheio de decisões de game design muito inteligentes. A maior de todas está sem dúvida na ausência de qualquer tipo de diálogo falado ou escrito. Os personagens comunicam por uma espécie de “balões de pensamento” com imagens e sinais.

Notável também é o seu trabalho Estético, tanto o visual como o auditivo( música de Tomáš Dvořák). Além do já referido prémio, Machinarium ja ganhou “Best Graphic Design”, “Best Music”, “Best Animation” (Aggie awards) e o prémio Aesthetics ( IndieCad). Estes prémio são apenas um reconhecimento público daquilo que todos nós podemos comprovar. O universo de Machinarium além de muito bem desenhado, está muito bem construido. Um sistema de layers, com um efeito parallax, dá profundidade ao jogo e transmite uma sensação de tri-dimensionalidade.

Este é claramente um daqueles jogos, que merecem a etiqueta de Art Game.

Outra particularidade do jogo, desta feita a nível da própria mecânica, é o facto de só podermos interagir com objetos dentro do raio de ação do nosso protagonista, o pequeno robot chamado Josef. Pode parecer irritante ao início pois temos de estar constantemente a movimentar o robot, mas este conceito eleva significativamente o nosso pensamento estratégico e dedutivo.

Já que falamos de pensamento e raciocínio, o “puzzling” está soberbo. Para quem é fã de aventuras gráficas provavelmente não estranhará, mas mesmo a comparar com outros do género, Machinarium tem momentos deslumbrantes. Apesar de haver um sistema de dicas, aconselho a não recorrer, pelo menos não constantemente. O retorno da sensação de auto-realização é bem mais forte quando resolvemos os puzzles por nós. Ao fim ao cabo , não é esse um dos motivos pelo qual nós jogamos?

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Aconselho a jogarem a demonstração, e se realmente gostarem e estiverem a pensar em comprar, vale a pena. Não é muito caro, está disponível para várias plataformas, inclusive a PS3  e  os lucros da venda vão diretamente para os produtores.

Jogos Indie

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Para os que estão menos familiarizados com a expressão, Indie Games são jogos desenvolvidos com pequenos orçamentos por pequenas equipas, por produtoras independentes (indie). As definições valem o que valem, mas este é um modo como eu próprio defino o que são Indie Games.

 À medida que o meu interesse académico em jogos aumenta, o meu gosto por jogos AAA diminui. Dou comigo a ter cada vez menos paciência por este tipo de jogos. Em contrapartida, o meu interesse por jogos Indie tem crescido a cada nova descoberta.

É a este nível que se tem notado uma maior inovação e contribuito artístico. Felizmente têm surgido com alguma regularidade grandes projetos de natureza Indie, tem aumentado os festivais sobre este tópico e têm havido um crescente aumento na investigação e  análise científica neste “género” de jogos.

Com isto, gostaria de deixar alguns links e recursos para quem como eu tem interesse nos jogos Indie:

1. the Indie Game Magazine, poderão consultar reviews de jogos, visualizar previews, inteirarem-se das novidades e fazer downloads. Escusado será dizer que é de conteúdo 100% Indie.

2. Play Indie Games (PiG), é um blog escrito em português “dedicado aos poucos brasileiros que realmente gostam dos Indie Games”. A ultima entrada data de setembro de 2011, no entanto ainda existe um diretório agradável de posts que valem a pena ler.

3. IndieGames.com, é provavelmente a primeira opção após procura no google por “Indie Games”. É um Weblog constantemente atualizado e completo.

4. Indie Statik, é uma comunidade dedicada à divulgação dos jogos Indie:

With a burning passion for the heart and souls that go into these creative games, we share with you a common interest and aim to provide all of the latest news as well as the most interesting and entertaining stories you’ll hear in this beloved niche of ours.

5. the Indie Game Database (TIGdb), é uma enorme base de jogos Indie com informação detalhada de cada jogo.

6. the Independent Games Festival, como o nome indica é um festival destinado a premiar o que de melhor se tem feito nesta área.

7. A BAFTA (British Academy of Film and Television Arts),  “supports, promotes and develops the art forms of the moving image – film, television and video games – by identifying and rewarding excellence, inspiring practitioners and benefiting the public.” Nos British Academy Games Awards, têm sido premiados grandes pequenos títulos.

8. Indie Game Challenge, é mais um certame que premeia jogos independentes.

9. NordicGame, é uma conferência que neste maio de 2013 terá a sua 10ª edição e de à 4 anos para cá conta com o evento Indie Night.

Esta não é obviamente uma lista exaustiva, longe disso, até porque outros festivais mais generalistas, cada vez mais apostam em categorias para premiar jogos Indie. No entanto, este já pode ser um pontapé de saída para quem se interessa por jogos Indie e convido a quem quiser contribuir para esta listagem a enviar mensagem ou deixar comentário.

Limbo: emoção a preto e branco

Até que enfim que já joguei o Limbo!! E o jogo correspondeu às minhas (boas) expetativas.

O Limbo é daqueles jogos “porta estandarte” das pequenas editoras, é uma prova viva de que os jogos Indie têm muito para oferecer. É daqueles exemplos que reforçam a ideia de que os videojogos são ARTE, e uma forma de arte a ter em conta(brevemente mais sobre este assunto).

“Limbo shows that there is salvation for an industry stuck in sequel hell.”
-Gamers’ Temple

Tecnologicamente, o Limbo até parece um jogo feito em Flash, um 2d sidescroller. O seu gameplay é relativamente simples e intuitivo e consiste em resolver puzzles. Atendendo às suas características, pode ser facilmente categorizado de  puzzle-platform game.  A história do jogo é muito simples e linear, não há volte faces inesperados na narrativa nem nada que se pareça. Até o personagem está desprovido de identificação, é “apenas” um miúdo à procura da sua irmã.

No entanto esta premissa simples serve de pano de fundo para uma exposição estética brilhante (literalmente), que é sem dúvida a mais valia do jogo, o argumento que o eleva à condição de “peça de arte”. O jogo é-nos apresentado num formato monocromático, jogando com os contrastes de luz e grão para nos dar uma sensação de profundidade. Os elementos que se apresentam em primeiro plano, isto é os que nós conseguimos interagir, apenas conseguem ser distinguidos pelas suas silhuetas, uma vez que a falta de luminosidade impede que o jogador veja com detalhe os objetos/personagens. Alguns críticos e jornalistas chegam a fazer um paralelismo de Limbo com o film noir ou o expressionismo alemão.

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O jogo consegue ser intenso, mas sem nunca deixar de ser gratificante. Quando falhamos um puzzle…morremos logo, não há meias medidas. No entanto, recomeçamos imediatamente antes, os autores do jogo pretendem desta forma fomentar a preserverância do jogador em resolver os puzzles, e a verdade é que é um modelo que funciona.

As mortes do miúdo chegam a ser macabras, e o facto de estar tudo em tons de preto e branco só torna as coisas mais sombrias. Mas o jogo é bem emotivo e mesmo assumindo o papel de um personagem “regado” de anonimato, conseguimos sentir alguma empatia com o protagonista.

Depois de jogar Limbo percebe-se o porquê de este ter ombreado com grandes produções (esteve nomeado juntamente com Assasin’s Creed: Brootherhood e Call of Duty Black Ops nos BAFTA video game awards) nos certames que premeiam o que se tem feito no campo dos videojogos, além dos inúmeros prémios e distinções em festivais de jogos Indie.

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Um observação que gostaria de salientar aqui, é que Limbo é mais um jogo vindo do Norte da Europa, desta feita da Dinamarca. A Escandinávia tem-se revelado um foco interessante na produção de videojogos, tanto a nível dos AAA Games como Indie Games, em especial destes últimos, e cada vez mais as nossas atenções vão-se virando para essas latitudes em alternativa aos habitués Estados Unidos e Japão.

Ib, um horror adventure surpreendente

 

Escreve-se Ib e lê-se “ibe”. É um horror adventure feito com o RPG Maker 2000.

Confesso que, quando tive conhecimento desta ferramenta à uns anos atrás facilmente perdi o interesse, pois apesar de ser uma ferramenta estimulante é um pouco limitada ao género. Kouri provou o contrário. Ib é a prova de que com ferramentas tecnologicamente ultrapassadas e pouco estimulantes se consegue criar jogos muito bons. É preciso criatividade? É. É preciso talento?É. É preciso arriscar? É. Mas é isso que faz a área dos videojogos avançar e inovar.

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A young girl named Ib visits an art gallery with her parents. While observing the many exhibits, she suddenly realizes she is alone. And in her search for others, she finds things awry in the gallery…

O jogo passa-se num museu e está inteligentemente bem concebido.Basea-se na resolução de puzzles e tem pausas entre a tensão para a qualquer momento fazer disparar a ansiedade. Não esperem cenas de dar saltos na cadeira, Ib não é nenhum  Silent Hill,  mas envolve. ATUALIZAÇÃO: Se estiverem distraídos e imersos na aventura, é facil de apanhar um susto valente, principalmente porque o sound design está muito bem feito [conselho: afastem-se das paredes nos corredores :)].

A música principalmente está um must e prende-nos imensamente, por exemplo o tema do Dining Room podia figurar numa outra produção bem mais cara. Apesar dos grafismo 16 bit, a atmosfera consegue ser bem pesada, graças à música.

Mas não só, no geral as estéticas do jogo estão bem conseguidas, desde os cenários aos personagens (não esquecer da limitação do RPG Maker, referida anteriormente). Além dos aspeto visual destas, é muito fácil ficar cativado pelas suas personalidades. Arrisco mesmo a dizer que Ib tem as melhores personagens e a melhor narrativa de um horror game.

O jogo tem vários múltiplos finais e estou mesmo inclinado para vivenciar todos. Podem fazer o download gratuito do jogo! E estão desde já convidados a partilhar a vossa opinião sobre o jogo! Vale a pena e é (mais uma vez) uma prova que os jogos Indie promovem a criatividade e inovação que os AAA tendem a “esquecer”.

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