Uma morte súbita

Estive a ler Uma morte súbita  (titulo original “the casual vacancy”) de J.K. Rowling. Essa mesmo, a criadora de Harry Potter.

Confesso que não sabia bem o que esperar, como reagir a um livro que orgulhosamente ostenta na capa “…primeiro livro para adultos de J.K.Rowling.”, mas o facto é que se revelou um leitura interessante e ficou provado que há mais para além de Hogwards na mente da escritora.

Pagford é uma idílica cidade inglesa, com uma praça principal em pedra calçada e uma antiga abadia. No entanto, este belo cenário não passa de uma aparência que esconde uma cidade em guerra. Os ricos em guerra com os pobres, os adolescentes em guerra com os pais, as mulheres em guerra com os maridos, os professores em guerra com os alunos… Pagford não é o que parece à primeira vista. A história começa quando Barry Fairbrother, membro da Assembleia Comunitária, morre aos quarenta e poucos anos. Pagford entra em estado de choque e o lugar que ficou vazio torna-se o catalizador da guerra mais complexa que alguma vez ali viveu. No final, quem sairá vencedor desta luta travada com tanto ardor, duplicidade e revelações inesperadas?

A historia desenvolve-se numa toada bem viciante. Os personagens estão tão bem caracterizados e perfilados que quase diria que o livro baseia-se em factos reais, o que revela a capacidade de observação da autora.

Um bom livro para quem gosta de um bom enredo intricado, com um ligeiro noir e que chega a ter momentos crús.

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Videojogos em Portugal: História, tecnologia e arte

É já amanhã dia 15 de novembro que será lançado o livro “Videojogos em Portugal: História, tecnologia e arte” pela mão da editora FCA.

Este livro é um projeto iniciado em 2009, como “primeiro empreendimento da Sociedade Portuguesa de Ciências dos Videojogos.”

Nélson Zagalo, fundador e primeiro presidente da SPC Videojogos,  é o autor deste livro que nos retrata a história dos videojogos em Portugal. O livro estará disponível nas livrarias, em principio, já a partir da próxima semana.

Parece-me um bom investimento para quem se interessa pela área seja  academicamente, profissionalmente ou mesmo apenas por curiosidade e gosto pelos videojogos.

Podem ler um excerto do livro aqui, disponibilizado pela FCA.

Stephen King – breve nota

No seguimento de um post anterior, ontem revi (mais) um filme  baseado num livro de Stephen King. Desta vez Secret Window com o conhecidíssimo Johnny Depp. O filme é baseado na obra Secret window, Secret Garden de Stephan King.

 

Este filme já tem quase uma década e já o vi várias vezes, mas esta foi a primeira vez que estava sensibilizado para o facto de ser mais uma adaptação cinematográfica de um trabalho de Stephen King. A ver e a ler.

Stephen King, o escritor de filmes

Habituei-me a ouvir o nome Stephen King tantas vezes que a verdade é que, raramente associava o nome a uma cara ou mais importante, a obras.

Num episódio de Family Guy ( sim é verdade! custa a acreditar, mas até se consegue aprender com esta série), em que os personagens parodiam alguns filmes clássicos do cinema americano, reparei que todos eles  eram baseados nas obras do escritor norte-americano. A saber; The Shining, Stand by me, Misery e The Shawshank Redemption!

O filme the Shinning, um grande clássico do cinema protagonizado por um titã da 7ª arte, Jack Nicholson, era o único que já associava a Stephen King, mas mesmo assim valorizei sempre mais o trabalho de Stanley Kubrick como  realizador do filme. Realmente é difícil ombrear pelas atenções com KubrickNicholson ( dos meus atores preferidos) , mas apesar da excelente performance do realizador e do ator, há que dar o mérito a Stephan King , quanto mais não seja pelo simples facto de ser o criador daquele “cenário”.

Cartaz do filme “the Shinning”.

Confirma-se o talento excecional do escritor para o suspense , com Misery brilhantemente interpretado por Kathy Bates. Pela experiência que tenho de livros adpatados ao cinema, tenho mesmo muita curiosidade em arranjar este livro. A julgar pelo ritmo imposto no ecrã, quase que consigo antever que é daqueles em que lemos página após página e devoramos num ápice.

Grande plano da personagem Annie Wilkes do filme “Misery”, interpretada por Kathy Bates.

O filme Stand by Me, é um filme da minha infância, também ele adaptado de um livro de Stephen King intitulado “the Body”. Já não vejo o filme à alguns bons anos e até é capaz de valer mais pelo seu valor nostálgico do que outra coisa, mas não deixa de ser mais um exemplo  de como o estilo literário de Stephen King presta-se a boas adaptações para cinema.

Cena do filme “Stand by me”.

Mas o topo deste pequeno podio está The Shawshank Redemption. Considerado como um dos melhores filmes de sempre, podemos ver e rever vezes sem fim que a historia nunca se esgota. É deliciosa a cena em que os protagonista Andy Dufresne oferece os seus serviços ao chefe da guarda prisional em troca de cervejas frescas para os seus colegas, colocando a sua própria vida em risco. Curiosamente, neste filme figura, a par de Nicholson, outro grande ator da minha preferência, Morgan Freeman. Faz a diferença? Faz, atores destes fazem sempre a diferença, mas em qualquer parte do mundo, em qualquer lingua, com qualquer elenco, “Os condenados de Shawshank” será sempre uma história soberba, mais uma vez saída da “pena” de Stephen King.

Cena do filme “The Shawshank Redemption”.

Stephen King tem um repertório extenso e interessante de obras escritas diretamente para figurar nos ecrãs, mas o meu objetivo aqui era o de realçar a frequência com que os seus livros acabam por encontrar um (bom) caminho para o cinema. Após esta “sensibilização” para a obra de Stephen King, posso garantir que estarei mais atento ao trabalho do escritor, até porque estou genuinamente interessado em, não só a ler os livros que deram origem a estes filmes, como a ler uns quantos que pela sinopse e pelas criticas, parecem-me bem interessantes.

O Mundo Sem Nós

De todos os meus livros, é capaz de ter sido o que eu já li mais vezes; O Mundo sem Nós de Alan Weisman é um…

“…estudo inspirador e visionário sobre a forma como temos vindo a destabilizar o planeta e de como a Terra respiraria de alívio com a nossa partida.”

Time Magazine

Retirei o livro do seu descanso, mais uma vez, após ter sido instigado por uma produção que apanhei no canal Odisseia. É um livro fácil de ler, mas dificil de digerir. Difícil na medida que nos faz pensar no nosso modo de vida destruidor e inconsequente. Deixa-nos a pensar em que mundo estaremos a deixar para as gerações vindouras.

Muito resumidamente,  O Mundo sem nós retrata o que aconteceria ao planeta Terra se o ser humano deixasse de existir de um momento para o outro. Weisman recolheu estudos e informações de territórios virgens, territórios que ainda não sofreram intervenção humana, analisou documentos descritivos de como a região de  Manhattan era aquando da chegada dos primeiros colonos e por último viajou e observou algumas zonas outrora habitadas, e que por algum motivo encontram-se livres da “praga humana”, como a cidade de Chernobyl ou a zona Desmilitarizada do Chipre.

É interessante perceber quais dos engenhos humanos, aqueles que perdurarão no tempo para contar a história, a viajantes do espaço que cá cheguem daqui a milhões de anos, de que em tempos este planeta foi habitado  pela nossa espécie. Acaba por ser até chocante o espaço de anos (sim anos…não séculos ou milénios) em que uma cidade como Nova Iorque, sem a manutenção do homem, é dominada pela Natureza.

Weisman explica como a fauna e a flora lentamemte recuperam o seu espaço e a cicatriz deixada pelo homem começa a sarar. No entanto alguns danos são irremediáveis. Espécie extintas por nós jamais voltarão a caminhar na Terra, a temperatura continuará a aumentar mesmo sem a nossa presença, num efeito bola de neve, até eventualmente estabilizar e voltar a condições normais. As centrais nucleares contruídas pelo homem, sem a nossa presença, não serão nada mais do que bombas relógios que tornarão grandes territórios radioactivos.

Esta obra de não ficção, além do já referido alerta que bem precisamos, também não deixa de ser um estudo útil para o campo dos videojogos.
Cenários futuristas que não sejam de índole pós -apocalíptica, poderão ser moldados certamente a partir das descrições e previsões explanados por Weisman. Este best seller já data de 2007 e bem possivelmente muitos jogos que entretanto foram publicados podem ter tido influência direta ou indiretamente de O Mundo sem nós.

Sem dúvida um livro a ler. Ou reler!

Steve Jobs: a biografia

 

Estou a acabar de ler a biografia de Steve Jobs por Walter Isaacson ( sim, eu leio mais que um livro em simultâneo)!

A par dos grandes feitos que Steve Jobs alcançou, esta biografia põe a nú a personalidade sui generis, o seu temperamento irascível, que marcou todas as pessoas que conviveram pessoalmente e profissionalmente com o fundador da Apple e da Pixar. Aliás o próprio Steve Jobs que sempre gostou de dominar e controlar tudo à sua volta, prometeu a Walter Isaacson não se intrometer no seu trabalho, o que só valorizou esta biografia pela sinceridade que a mesma aloja.

Biografia-de-Steve-Jobs3

Esta é a melhor característica desta biografia. Sinceridade, por mais embaraçosa que seja. Steve Jobs foi um grande visionário, um génio do produto [ler o livro para perceber melhor esta afirmação], um grande comunicador e motivador. Steve Jobs inovou onde se pensava que não havia espaço para inovação, criou arte com dispositivos elétricos até então feitos para serem funcionais e não bonitos, e viu as coisas como um todo e não a soma das partes.

Innovation distinguishes between a leader and a follower, Steve Jobs

Isaacson expõe esta faceta criativa e empreendedora de maneira transparente, recolhendo testemunhos de rivais de Steve Jobs (alguns dos melhores elogios partem do próprio Bill Gates). Mas também mostra que era uma pessoa de trato difícil, que tendia a ignorar factos simplesmente porque estes não lhe agradavam e recorria frequentemente ao seu campo de distorção da realidade [ler o livro novamente].

Todo o percurso de Steve Jobs, desde a fundação da Apple, o seu despedimento, passando pela criação da NeXT e PIXAR e regresso à Apple, está minuciosamente relatado no livro.  As suas relações pessoais e profissionais com as pessoas que o rodearam nestes anos, as suas grandes criações e todo o processo que envolveu. E acima de tudo, as suas intransigências e atitudes extremistas em relação aos outros. Jobs classifica as pessoas como sendo estúpidas ou brilhantes, e consegue ser bem cruel para com quem considera estúpido.

Este reverso da medalha, que é a personalidade de Jobs, só reforça o que ele é: um ser humano.  Como os outros? Não diria tanto, até porque o que ele conseguiu só está ao alcanço de poucos, mas acredito que este seu lado pior foi parte integral e essencial para moldar o seu génio criativo que nos trouxe o iPod, o iPhone, iTunes, a Apple em geral, assim como a PIxar que nos tem brindado com grandes obras de animação. Este é o legado de Steve Jobs, não o seu comportamento temperamental.

 

José Rodrigues dos Santos, o Dan Brown Português!

 

Sou um apreciador de José Rodrigues dos Santos(JRS)! Como pivot de telejornal naturalmente que foi uma cara que se tornou familiar e bem vinda nas casas de todos nós, mas digo isso essencialmente pelo seu trabalho como escritor.

A sua mais recente obra intitulada “A mão do diabo” é a décima obra de ficção do autor, 10 após depois de ter lançado “A ilha das trevas” o que dá uma média de uma publicação por ano. Nada mal!

À semelhança dos seus romances anteriores, JRS mistura ficção com factos históricos reais, para fundamentar as ideias e teorias explanadas aos longo da narrativa, que tem como protagonista o já habitual historiador português Tomás Noronha. Não vou desvendar mais até porque ainda estou no início, mas fica dada a sugestão de uma boa leitura portuguesa!

A-MÃO-DO-DIABO-FINAL

Digo boa leitura porque já li todos os livros de JRS e devo dizer que o homem sabe contar uma história. Não é nenhum Saramago obviamente, mas aprecio claramente o estilo de JRS até porque, além do divertimento, aprende-se muito sobre a história de Portugal e não só.

É um escritor que consegue apelar ao nosso patriotismo (aconselho ler o Codex 632), e eu gosto de “sentir Portugal” em qualquer obra de ficção, seja num livro ou num filme [ tenho de importar este conceito para os jogos]. Mas de todos os seus romances, sem dúvida que A fórmula de Deus é o meu preferido. É o livro com melhor climax que já li! Folheava todas as páginas com a curiosidade de finalmente saber qual seria essa fórmula, pensava e re-pensava em várias soluções e fui completamente surpreendido no final. E atenção, que mesmo sendo ficção, a “sua fórmula”  dá que pensar! É algo que consigo considerar que possa acontecer.

Outro grande livro é  A filha do Capitão. A princípio evitei lê-lo pois o título sugeria-me algo tipo E tudo o vento levou, mas não. É um romance que retrata bastante bem a participação portuguesa na 1ª Guerra Mundial, como Portugal(os nossos soldados principalmente)  viu e viveu a guerra e como os nossos aliados nos viam.

José Rodrigues

No entanto, confesso que não gostei muito do Ultimo Segredo, não sei se foi a falta de criatividade ou a vontade de tentar levantar alguma polémica ( que no meu entender também não houve). Mas 1 em 9 não estraga a média, e é com o mesmo entusiasmo que li os outros que estou a ler A mão do diabo.

Para finalizar, e contradizendo o título do artigo, na contracapade A mão do diabo pode ler-se:  Melhor que Dan Brown (Tros Nieuwsshow, Holanda)…e não foi um Português a dizê-lo!