Give that man an Oscar!

Acho que se pode dizer que o grande momento na última cerimónia dos Óscares , foi a vitório de Leonardo DiCaprio. O facto de até ai ele nunca ter ganho um Oscar tem gerado piadas e memes , por sinal bem explorados (com as devidas exceções) no 9Gag, piadas que curiosamente continuam, mas agora relacionadas com o facto de ter ganho.

Breve reflexão: DiCaprio não era certamente o único  actor no mundo nesta situação, e estamos a falar de nomes da pesada aqui,  mas o facto é que DiCaprio não tem tido o reconhecimento que eu acho que já deveria ter tido. Ok, há a sombra do Titanic. Eu próprio demorei imenso tempo até me aperceber que Titanic e a Praia eram as exceções e não a regra. Mas caramba, o homem já merecia ter sido reconhecido à bem mais tempo. Ou melhor, ele tem o reconhecimento, se não tivesse não haveria esse burburinho todo em torno do seu “não Oscar”, pelo menos até agora.

Bem, mas o que me traz aqui não é acontecimento em si, mas uma forma utilizada para comunicar esse acontecimento ( relembro que este artigo começou a ser escrito antes dos Óscares).

rampage

Produzido pelos londrinos The LineLeo´s Red Carpet Rampage é um jogo que explora a carreira do actor, nomeações e papéis, de um modo divertido e retro.

Este jogo é um bom exemplo do que é um Newsgame. Isto é, um jogo cujo propósito é noticiar um evento, levando a que os jogadores analisem um determinado fato, notícia ou acontecimento, estimulando o debate.

É mais comum um newsgame focar em crises humanitária ( Darfur is Dying, September 12th, Endgame:Syria, Madrid, etc…) do que parodiar uma situação. Mas mesmo assim, Red Carpet Rampage não é único, até temos um exemplo português inspirado numa intervenção menos feliz do nosso anterior presidente da República.

Do que tenho lido, investigado e jogado sobre serious games, esta ainda é uma categoria “pobre”, se formos a comparar com jogos para a Educação, Saúde, ou até mesmo Marketing. Quando digo pobre, refiro-me à sua expressão, não são tão comuns como estas outras categorias.

Mas também podemos pensar em “pobre” monetáriamente falando. Se formos a ver, são jogos com pouco valor comercial. Valem pelo contexto. Contudo, têm aparecido bons exemplares nos últimos anos que têm conseguido chamar às atenções. Podem até nem ser um boa aposta como forma de negócio, mas como formato de notícia já ganhou!

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Criatividade, interatividade e expressividade

trumpeit

Encontrei um link sobre uma pequena brincadeira com o candidato americano Donald Trump a ser partilhado pelas redes sociais e decidi tomar nota disso mesmo. Não tanto pelo experimento em si, mas mais pelo contexto.

A internet é sem dúvida alguma, o maior veículo comunicacional dos dias de hoje. Não só pelo alcance que podemos ter da nossa mensagem,  como também da liberdade acerca do conteúdo da mensagem e a forma da mesma. Pessoas criativas estão sempre atentas ao seu redor, à espera do momento para se manifestarem, com algum humor e mordacidade.

Esta pequena jigajoga com o nome Trump (trompete) lembrou-me de um outro momento menos feliz em que o nosso (ainda) presidente Cavaco Silva se referiu aos seus ganhos como “insuficientes para as suas despesas”.

Este momento também ficou imortalizado sob a forma do jogo Missão Cavaco Silva,  disponível no Kongregate.

cav

cav2

 

Missão Cavaco Silva poderá ser classificado um Newsgame, pelo facto de estar a retratar um evento específico, neste caso as declarações do Presidente da República, que por si só não teria causado tanta celeuma, não fosse Portugal um país com problemas financeiros.

Ah, Trump Donald não é um Newsgame, na medida em que …não é um jogo de todo. É um experimento interativo, nada mais. Carece de muitos elementos para que possa ser considerado um jogo, tais como estrutura e objetivos concretos, recompensas, pontuações, etc. Interessante o contador de “trompetadas” no canto inferior esquerdo.

Num registo ligeiramente diferente, gostaria de partilhar aqui mais um jogo inspirado na situação sócio-económica de Portugal. “Vem ai a Troika”, é um jogo de cartas que de um modo humorístico retrata um período de alguma fragilidade económica em Portugal.

Here comes the Troika!” is a satiric fiction card game about the dynamics of power, political pressure and influence which dominates a democratic society. Each player represents a more or less obscure interest party, that acumulates power, votes and money through political, social and economical manipulation.

http://www.cnn.com/video/api/embed.html#/video/business/2013/10/10/spc-marketplace-europe-economy-portugal.cnn

 

Parable of the Polygons – uma simulação de modelos dinâmicos de segregação

Deparei-me com este jogo por mero acaso. Ou será mais um experimento interactivo? Ou será mais um “artigo jogável” (playable post no original)?

parable of polygons

O objetivo de Parable of the Polygons é dar a entender às pessoas como uma pequena tendência, por mais inocentes que seja, pode ter grandes efeitos na diversidade da nossa sociedade. Para tal, são fornecidas ferramentas aos jogadores para que possam simular o contentamento de determinado Polígono (indivíduo) face à sua vizinhança. O jogador terá de arrastar os Polígonos até que estejam todos satisfeitos.

Em cenários mais avançados podemos controlar as a percentagem de diversidade que queremos na nossa vizinhança e podemos inclusive observar a segregação ao longo do tempo.

segregation

complete

WRAPPING UP:

1. Small individual bias → Large collective bias.

Micromotives, macrobehaviour… When someone says a culture is shapist, they’re not saying the individuals in it are shapist. They’re not attacking you personally.

2. The past haunts the present.

Your bedroom floor doesn’t stop being dirty just coz you stopped dropping food all over the carpet. Creating equality is like staying clean: it takes work. And it’s always a work in progress.

3. Demand diversity near you.

If small biases created the mess we’re in, small anti-biases might fix it. Look around you. Your friends, your colleagues, that conference you’re attending. If you’re all triangles, you’re missing out on some amazing squares in your life – that’s unfair to everyone. Reach out, beyond your immediate neighbours.

Esta simulação de segregação é baseada no trabalho de Thomas Schelling, Dynamic Models of Segregation, (1971) e inspirado em obras de Ian Bogost e Bret Victor. No fundo é uma aplicação literal da máxima de Confúcio:

“Eu ouço e esqueço. Eu vejo e lembro-me. Eu faço e percebo”

Da mesma forma que é discutível se estamos perante um jogo ou um experimento interactivo, também tenho as minhas reticências quanto à sua classificação.

Não é que interesse muito para o caso, mas por uma questão de organização taxonómica classificaria, ou aceitaria, duas hipóteses:

  • Persuasive Games e/ou ;
  • Newsgames.

Os Persuasive Games, são jogos utilizados como ferramentas tecnológicas de persuasão. Há exemplos bem conhecidos como America’s Army ou Learn from Lei Feng Online, do partido comunista chinês(Raposo, 2012). Aconselho a ler o trabalho de Bogost sobre jogos e persuasão.

Por outro lado, Newsgames , são jogos “jornalísticos” que reportam determinados eventos ou tecem uma opinião editorial.  Jornais de renome como o EL PAÍS (Espanha) e o The New York Times (Estados Unidos da América) já fizeram algumas experiências no ramo. Um dos exemplos mais conhecido é o jogo September 12th  que permite ao jogador tomar a decisão de disparar ou não sobre uma cidade do médio oriente onde circulam terroristas e civis. Cada morte converte civis em terroristas. Outro exemplo que retrata uma das maiores crises humanitárias é o jogo Darfur is diyng, que sensibiliza as pessoas para as condições dos refugiados naquela zona do mundo.

Os jogos comunicam diferentemente de outros media. Não só enviam mensagens, como permitem simular experiências. Influenciam os jogadores para tomarem acções através da própria jogabilidade. Neste sentido, Parable of the Polygons acaba por se encontrar na encruzilhada  destas duas categorias.

É um jogo que sensibiliza e persuade as pessoas a favor de uma heterogeneidade sócio-cultural, da mesma maneira que expõe um cenário ( ou vários cenários), onde pequenas alterações inofensivas podem levar a situações indesejáveis.