Terry Bozzio: Um Baterista com um pincel nas mãos

 

Sempre que falo com alguém sobre bateria (geralmente os meus alunos) e tento descrever o kit de Terry Bozzio, com 14 timbales numa afinação cromática, mais 9 em diatónico, 8 bombos, 53 pratos, 22 pedais!!, mais um montão de percussões  e samplers, a reação que obtenho mais vezes é: “e ele usa isso tudo?”.

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Kit do Terry Bozzio, da perspectiva do baterista

De facto é de estranhar como e porquê um baterista, necessitar desta parafernália toda, uma vez que estamos habituados a ver um kit standart de 3 timbales, 1 bombo, 1 tarola (ah, esqueci-me, nisso o Terry é modesto, só tem duas) e 3 ou 4 pratos. E a verdade é que esta composição simples garante o papel do baterista, que é justamente o de ser o elemento equilibrador em termos rítmicos de uma banda. E com kits de 4 peças Buddy Rich fazia magia, por exemplo.

Mas a verdade é que Terry Bozzio não é um equilibrador, é um pintor rítmico. Se Picasso e Salvador Dali tivessem um filho e esse filho tocasse bateria, seria o Terry Bozzio (creio que teremos de fazer um teste de DNA ao Terry, para tirar dúvidas).

Da mesma forma que Frank Zappa escreveu o tema “the Black page”, propositadamente para Terry Bozzio, pois ele dizia que mais nenhum baterista do mundo era capaz de reproduzir tão fielmente a sua criação, eu acredito que Terry Bozzio seja um expoente máximo na transição do rock convencional, apesar do seu estilo ser tudo menos convencional, para contextos de multimedia performative arts.

Este conceito emergente, que vendo bem não é tão novo quanto isso, mas que na realidade atual está munida de ferramentas que há uns anos atrás só seriam possíveis na saga da Guerra das Estrelas é o espaço ideal para músicos como Terry Bozzio, músicos que conseguem dar cor à sua interpretação, que conseguem extravasar as barreiras do convencionalismo, músicos que conseguem acrescentar outra dimensão ao ato de ouvir música.

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