Parable of the Polygons – uma simulação de modelos dinâmicos de segregação

Deparei-me com este jogo por mero acaso. Ou será mais um experimento interactivo? Ou será mais um “artigo jogável” (playable post no original)?

parable of polygons

O objetivo de Parable of the Polygons é dar a entender às pessoas como uma pequena tendência, por mais inocentes que seja, pode ter grandes efeitos na diversidade da nossa sociedade. Para tal, são fornecidas ferramentas aos jogadores para que possam simular o contentamento de determinado Polígono (indivíduo) face à sua vizinhança. O jogador terá de arrastar os Polígonos até que estejam todos satisfeitos.

Em cenários mais avançados podemos controlar as a percentagem de diversidade que queremos na nossa vizinhança e podemos inclusive observar a segregação ao longo do tempo.

segregation

complete

WRAPPING UP:

1. Small individual bias → Large collective bias.

Micromotives, macrobehaviour… When someone says a culture is shapist, they’re not saying the individuals in it are shapist. They’re not attacking you personally.

2. The past haunts the present.

Your bedroom floor doesn’t stop being dirty just coz you stopped dropping food all over the carpet. Creating equality is like staying clean: it takes work. And it’s always a work in progress.

3. Demand diversity near you.

If small biases created the mess we’re in, small anti-biases might fix it. Look around you. Your friends, your colleagues, that conference you’re attending. If you’re all triangles, you’re missing out on some amazing squares in your life – that’s unfair to everyone. Reach out, beyond your immediate neighbours.

Esta simulação de segregação é baseada no trabalho de Thomas Schelling, Dynamic Models of Segregation, (1971) e inspirado em obras de Ian Bogost e Bret Victor. No fundo é uma aplicação literal da máxima de Confúcio:

“Eu ouço e esqueço. Eu vejo e lembro-me. Eu faço e percebo”

Da mesma forma que é discutível se estamos perante um jogo ou um experimento interactivo, também tenho as minhas reticências quanto à sua classificação.

Não é que interesse muito para o caso, mas por uma questão de organização taxonómica classificaria, ou aceitaria, duas hipóteses:

  • Persuasive Games e/ou ;
  • Newsgames.

Os Persuasive Games, são jogos utilizados como ferramentas tecnológicas de persuasão. Há exemplos bem conhecidos como America’s Army ou Learn from Lei Feng Online, do partido comunista chinês(Raposo, 2012). Aconselho a ler o trabalho de Bogost sobre jogos e persuasão.

Por outro lado, Newsgames , são jogos “jornalísticos” que reportam determinados eventos ou tecem uma opinião editorial.  Jornais de renome como o EL PAÍS (Espanha) e o The New York Times (Estados Unidos da América) já fizeram algumas experiências no ramo. Um dos exemplos mais conhecido é o jogo September 12th  que permite ao jogador tomar a decisão de disparar ou não sobre uma cidade do médio oriente onde circulam terroristas e civis. Cada morte converte civis em terroristas. Outro exemplo que retrata uma das maiores crises humanitárias é o jogo Darfur is diyng, que sensibiliza as pessoas para as condições dos refugiados naquela zona do mundo.

Os jogos comunicam diferentemente de outros media. Não só enviam mensagens, como permitem simular experiências. Influenciam os jogadores para tomarem acções através da própria jogabilidade. Neste sentido, Parable of the Polygons acaba por se encontrar na encruzilhada  destas duas categorias.

É um jogo que sensibiliza e persuade as pessoas a favor de uma heterogeneidade sócio-cultural, da mesma maneira que expõe um cenário ( ou vários cenários), onde pequenas alterações inofensivas podem levar a situações indesejáveis.

 

 

 

Advertisements