Warcraft III- Reign of Chaos e the Frozen Throne ( parte 2)

No meu ultimo post, relembrei a importância e o impacto de WC3 na Industria dos Videojogos. Hoje e após tornar a fazer as campanhas ( bem, o jogo é bem maior do que me lembrava ou então já não tenho o tempo que tinha!!) , vim falar do jogo em si.

O WC3 é um RTS que ocorre num universo fantasioso ( o mundo de Azeroth, que não é desconhecido dos jogadores de WoW). Tal como um RTS típico, o jogador tem de gerir recursos, tropas, edifícios e tempo ( sim, a gestão de tempo é crucial ou arriscam-mo-nos a ser ser eliminados). Também é necessário fazer uma micro gestão de unidades, isso porque algumas unidades possuem habilidades especiais que se traduzem numa grande mais valia durante os confrontos com a facção inimiga.

De referir que o combate é a chave crucial deste jogo, ao contrário de outros RTS como por exemplo Age of Empires ou Civilization em que é dado também muito enfoque a questões como economia e diplomacia.

Ao contrário dos seus antecessores WC3 conta com quatro raças diferentes; aos Orcs e Humanos acrescentou-se os Undead e os NightElves, (na expansão Frozen Throne ainda teve os Naga e Draenei, mas só jogáveis na campanha). O grande factor ground breaking de WC3, o tal que possibilitou a futuras variações discutidas no post anterior, foi a inclusão de algumas unidades especiais-os Heroes. Cada raça tem 3 heróis com jogabilidades bem distintas, a que foi adicionado um quarto personagem com a Expansão e mais uma série disponível para recruta na Taverna.

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Printscreen [gameplay] da campanha dos NightElves

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Printscreen [in game cinematics] da campanha dos NightElves

O modo história, onde estão inseridas as campanhas, está desenhado de maneira que para percebermos bem a historia jogamos com todas as raças. O Warcraft possui um sistema de hints e tutoriais tão bem desenhado  que mesmo nas ultimas campanhas somos induzidos discretamente pelo jogo a tomar as decisões mais acertadas e a dominar rapidamente as mecânicas dos novos personagens. Cada campanha foca numa raça, e durante a mesma temos possibilidade de controlar todos os Heróis da respetiva raça.

Como referi, é uma historia fantasiosa, é normal que quem não aprecia o gênero narrativo não vai achar particularmente graça a WC3, pelo menos pela sua historia,  mas está bem estruturada com um fio narrativo interessante que suscita uma curiosidade genuína de saber o que se irá passar a seguir. E uma vez que  jogamos com todas as fações, percepcionamos a história de todos os ângulos, sem tomar partido por nenhuma parte, apesar de haver uma clara distinção de quem são os vilões na história! [ Também temos a possibilidade de, nem que por breves instantes, jogar com todos os Heróis]

Além dos heróis, certas personagens também exigem uma micro gestão, como controlar a mana ( tipo de energia necessária para poder executar feitiços), lançar feitiços amigáveis como curar ou aumentar velocidade e ataque dos aliados, lançar feitiços ofensivos como ataques de magia ou diminuir armadura e velocidade dos inimigos, ou ainda teletransportar os aliados para uma zona segura.

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Print screen da campanha ” Curse of the Blood Elves”. Na imagem podemos ver unidades Naga e Humans a lutar contra NightElves

Não há unidades “repetidas”. Todas as raças têm unidades únicas, até mesmo os “trabalhadores”  ( unidades básicas que permitem recolher recursos e construir edificios) são bem diferentes de raça para raça. Por exemplo, os Wisps dos NigthElves são uma espécie de “bola de energia” que retiram madeira das árvores sem as danificar e sem necessidade carregar os recursos de volta até à base, enquanto que os Peons dos Orcs destroem as árvores e têm de trazer a madeira até aos edifícios de recolha próprios quando já estão carregados. Ou o caso dos Acolytes, dos Undead que não constroem edifícios, simplesmente invocam-nos e estes ficar a “construir-se” sozinhos enquanto o jogador atribuiu outras tarefas à unidade.

Todas as raças têm vantagens e desvantagens. Não existe uma melhor ou pior, existem sim, várias estratégias de jogo consoante a raça escolhida,e mais importante ainda consoante o adversário. Existem vários recursos online com táticas e dicas sobre que raça é mais eficiente sobre outra.

WC3

Ex: Humans fortes contra Undead, que por sua vez são frágeis contra estes mas fortes contra NightElves. E assim sucessivamente.

Analisando as forças e fraquezas, apercebemo-nos de um equilíbrio cíclico entre as raças em Warcraft 3. Torna-se mais interessante no Multiplayer em equipas. A combinação errada de raças numa equipa pode levar a situações em que ambos os parceiros se anulem. Por exemplo, numa equipa constituída por Humanos e Undeads, nenhum dos jogadores sai beneficiado pelas características mais vantajosas da raça do colega. [ recomendo também a experiência multiplayer ]

Com isto, e fazendo uma avaliação baseada  na Tetrade do jogo (Sendo os pilares do desenvolvimento dos videojogos, considero que sejam importantes para uma análise), aos quais junto o factor Impacto social e na Indústria. Utilizo uma escala de 0 – 20, pois considero suficientemente abrangente.

Impacto

Se houver dúvidas relacionadas com o contributo de WC3 para o mundo dos videojogos, basta ler o meu post anterior ou podem fazer vossa própria pesquisa ou então lembrem-se só de três palavras: World of Warcraft!

Jogabilidade/ Mecânicas

Sou fã de jogos de estratégia, por isso é mais fácil “consumir” WC3. No entanto, no que diz respeito a jogos RTS, é capaz de o jogo com a curva de aprendizagem mais bem desenhada que já tive a oportunidade de jogar. É muito raro ( ou inexistente) a situação em que o jogador fica perdido sem saber o que fazer a seguir. Em relação aos hotkeys, hoje em dia e após jogar Dota2, faz algum sentido que as habilidades dos heróis estejam associadas às teclas QWER. Um pequeno reparo.

Estéticas

Estive a jogar este jogo em pleno 2014 e em momento algum senti frustração com os cenários ou música. O que prova que para a altura em que foi feito, estava no pelotão da frente em termos visuais. Os “voice act” estão muito bem conseguidos assim como a música. Pena é que não há muita variedade musical.

Nos cinematics é que ficamos completamente imersos e a pensar ” que belo filme é que isso daria”!

Narrativa

Lá está, é um jogo fantasioso com uma historia fantasiosa que bem podia ser retirada de um livro de Tolkien. O seu rol extenso de personagens e dimensão do universo criado possibilita um número ilimitado de cenários, sejam eles acontecimentos paralelos ou futuros ( ex: expansões de WoW) ou mesmo jogos completamente diferentes ( HearthStone: Heroes of Warcraft).

AVALIAÇÃO: 19 / 20

Tenho sempre o receio de ser ligeiramente tendencioso, mas contextualizando o jogo na época e atualmente, uma pontuação de 19 em 20 possíveis não me parece exagerado. Até porque não nos esqueçamos de uma coisa: É um jogo da Blizzard!

Captura de ecrã - 2014-08-07, 00.05.15

Printscreen [ in game cinematics ] da ultima campanha do Frozen Throne com os Undead

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