Under Siege: de Portugal para a PS3

Para quem não sabe, Under Siege, é “apenas” o maior titulo desenvolvido em Portugal. O primeiro jogo para PS3 desenvolvido no nosso pais e o mais caro de sempre com 1 milhão e 400 mil euros de investimento, bem acima de qualquer outro título ou que a maioria das produções cinematográficas nacionais ( Zagalo, 2013).

Desenvolvido pela Seed-Studios,  Under Siege juntou uma equipa de cerca de 16 pessoas abrangendo áreas desde a produção, animação, ilustração, programação, etc, o que para os padrões nacionais é bem acima da média. Daí é fácil justificar o orçamento, até porque estamos a falar de um jogo que ficou entre no Top 10 Indie Best Selling Games PSN 20011.

O lançamento do jogo foi adiado ( quem não se lembra dos ataques sofridos pela PSN em 2011?) perdendo assim o timming que nestas coisas é crucial. Mesmo com o regresso da PSN à normalidade, o serviço encontrava-se fragilizado e os jogos sofreram por tabela, gorando-se assim a possibilidade do primeiro jogo nacional para a PS3 atingir outros voos.

Com isto e uma vez que a última parte de financiamento não chegou a dar entrada, a Seed-Studios entretanto encerrou actividade.

Relativamente ao jogo em si, Under Siege é um RTS ( Real- Time Strategy) que foca no pré-combate e combate e não na gestão de recursos como por exemplo temos de fazer em Age of Empires,  ou uma gestão complexa de habilidades como temos em Warcraft III. Aliás, o controlo das habilidades das unidades de Under Siege, ainda que simples e resumidas ( essencialmente 2 por unidade), é das poucas ações que temos de fazer em combate, e eventualmente reajustar a posição das tropas. Isso remete a maior parte do pensamento estratégico para a fase pré-combate. E mesmo assim, mesmo assim. Estamos a falar de um número reduzido de tropas em que basicamente o que temos de fazer para melhorar as nossas hipoteses de sucesso é treiná-las para evoluirem.

Relativamente à evolução das tropas, outro aspeto positivo é que as unidades sobreviventes acompanham-nos de nível para nível. Isso é, se não perderem as primeiras 2 ou 3 vezes. Como podem ver no link anterior, esta é uma das maiores críticas ao jogo. Já joguei vários jogos portugueses, e chego à conclusão que devemos ser hardcore gamers. É que por norma, os nossos jogos têm uma dificuldade acima da média. Inclusive eu faço sempre um esforço tremendo e tenho preocupações constantes para que o game flow seja ajustado.

Voltando ao Under Siege, saliento ainda o excelente visual do jogo. Com um estilo muito próprio de personagens, as cutscenes recorrem a ilustrações e não aos renders3D dos mesmos. Os cenários também estão muito bem conseguidos, com bastante detalhe e pormenor. O jogo vem com um editor de mapas, mais um grande add on, e ai conseguem ter melhor visualização de tudo. Under Siege tem mesmo um bom aspeto.

O meu objetivo aqui não é dar uma classificação ao jogo.  O foco é apontar os seus aspetos inovadores e impacto no nosso tecido de desenvolvimento de jogos.

First things first. Para quem não sabe, os RTS são jogos típicos de computador. Devido à sua complexidade, é aconselhável um teclado e um rato para realizar a maioria das ações de jogo. Under Siege inova aqui. A mecânica do jogo e a sua adaptação ao controlador DualShock3 SiXaxis foi muito bem conseguida.

Para quem é fã de jogos RTS, naturalmente vai estranhar a ausência de alguma profundidade no jogo. É uma factura a pagar por desbravar caminho. Se tenho um controlador simples, o meu próprio sistema terá de ser simplificado. Dai não concordar com algumas críticas feitas em relação a Under Siege. Acredito que a partir daqui, alguma editora com mais poderio poderá continuar a adaptar os RTS às consolas, mas há muita coisa deixada pela Seed-Studios neste campo.

Apesar de haver outras ambições portugueses para grandes plataformas, nada tira o facto de Under Siege ter sido o primeiro. O jogo foi lançado numa altura que preparava a minha tese. E, associado também a outros  factores, Under Siege foi importantíssimo  na minha decisão de deixar o desenvolvimento “tímido” de jogos e apostar a sério na área. Foi o expoente máximo da crença portuguesa.

Patriotismos à parte, e depois de justificada a simplicidade da mecânica de jogo devido à própria simplicidade da plataforma, partilho da opinião que, narrativamente o jogo poderia oferecer muito mais. É uma história superficial, que fica aquém das expectativas.

Não por ser Português, mas essencialmente por ser um bom jogo aconselho a todos, principalmente fãs de RTS. Acreditem, é possivel jogar um RTS numa consola. E Under Siege comprova-o.

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Wildman, o novo jogo de Chris Taylor

 

Começando pelas apresentações, Chris Taylor é um game designer responsável pelas séries Dungeon Siege e Total Annihilation. É (quase) impossível ser-se um gamer no início do século e não ter no mínimo ouvido falar destes jogos. Chris Taylor é também fundador e CEO da Gas Powered Games que, além do já citado Dungeon Siege, também produziu o premiado Supreme Commander e co-desenvolveu o Age of Empires Online, entre outros!

O mais recente projeto de Chris Taylor e da Gas Powered Games chama-se Wildman! É um misto de RPG com RTS, como que aproveitanto a experiência anterior da equipe de trabalho. É literalmente um aglomerado de ideias de jogos anteriores dos mesmos criadores:

From Dungeon Siege: The core action-RPG experience. Equip weapons and gear, cast spells. Fight monsters. Level-up. Find loot.

From Supreme Commander: The core RTS experience. Create armies. Explore a tech tree that lets you customize your hero and armies. Adjust your strategy on-the-fly.

From Demigod: You don’t fight alone in Wildman. Waves of allies fight alongside you in the War Zones as you push the battle ahead, seize key control points, and destroy the enemy citadels.

Wildman is exciting because it’s something new, but it’s also reminiscent of these games we’ve made and loved. We want to make this game, and we have the right people to do it.

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Artwork de Wildman

A primeira imagem que vi do gameplay trouxe-me logo à memória o Warcraft III [Ah!! o Warcraft, bons momentos passados!!], só que desta feita a aventura passa-se na pré-história e nós assumimos um papel de “homem das cavernas”.Vendo mais alguns videos é facil de associar a títulos como o League of Legends ou Heroes of Newerth, mas como podem ver no video seguinte, a prioridade é refinar o Single player e a partir daí logo se vê.

 

É preciso ter em atenção que numa fase tão embrionária como esta, é precipitado comentar o aspeto do jogo. No entanto, e tendo isso em conta, gosto do que vejo à primeira vista, pois para protótipo não está nada mal, apesar de que também não traz nada de novo, a não ser talvez na forma como combina vários elementos diferentes e mesmo isso, é esperar para ver.

Com um currículo respeitável, Chris Taylor lança-se num nova experiência, desta feita pretende obter financiamento para o Wildman através da Kickstarter, uma plataforma de financiamento para projetos criativos. Estas plataformas de crowd founding permitem que todos nós possamos apoiar projetos em que acreditamos, e pelos vistos está mesmo a ser esta a tábua de salvação da Gas Powered Games. Chris Taylor explica os cortes no seu staff de maneira a manter a empresa e alguns dos trabalhadores mais antigos e leais:

A julgar pelos comentários dos cibernautas, há motivos para Chris Taylor sorrir e tornar a recrutar a sua equipa de volta. Pode ter sido uma forma de Marketing, mas pode ser sido mesmo a única forma de manter a pequena produtora viva. Será este o caminho para as produtoras Indie? Crowd Funding? É motivo para um extenso debate. Se por um lado os fãs de Chris Taylor podem ajudar a levar a cabo esta empreitada, o que acontece a quem não tem fãs? A quem não tem historial? Se as pessoas que financiam, fazem-no em parte porque já sabem o que contar com o produto, o que acontecerá com ideias novas e refrescantes? Mas isso é conversa para outro post. Para quem quiser Wildman, não se esqueça de fazer o seu donativo aqui!

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Ambiente de Jogo (concept)

Ah, como me ia esquecendo deste “pormaior”, Jeremy Soule o compositor por detrás de Skyrim, Oblivion, Dungeon Siege, NeverWinter Nights, Morrowind, entre outros, assina a banda sonora de Wildman! Só por isso vale a pena contribuir!